Cinco relógios que valem mesmo o dinheiro abaixo dos 500 euros, com preços de retalho verificados — e dois que ficam acima, se puderes esticar o orçamento.
Abaixo dos 500 euros há mais relojoaria a sério do que muita gente pensa. É a faixa onde os japoneses fabricam os próprios movimentos, e onde as microbrands europeias fazem design melhor do que marcas dez vezes mais caras. Também é a faixa onde se compra pior, se a escolha for feita pelo logótipo.
Sobre os preços: são preços oficiais de retalho, confirmados nos sites das marcas em agosto de 2026, e referem-se ao modelo concreto indicado — não ao relógio mais barato da marca. Se um guia te der o preço de entrada da marca e o nome de um modelo caro na mesma linha, desconfia. Nesta faixa, um desconto de rua de 15 a 25% num revendedor autorizado é normal.
As escolhas, em resumo
| Relógio | Preço | Melhor para |
|---|---|---|
| Seiko 5 Sports SRPD | ~330 € | Primeiro automático, uso diário sem cuidados |
| Orient Bambino | ~270 € | Vestir, casamentos, escritório |
| Citizen Promaster Diver Eco-Drive | ~370 € | Nunca mais pensar em pilhas nem em dar corda |
| Baltic HMS | ~390 € | Design, pulsos pequenos, fugir do óbvio |
| G-Shock DW-5600 | ~65 € | Obra, ginásio, praia, tudo o que estraga relógios |
Seiko 5 Sports — o automático que não se poupa
A Seiko fabrica tudo internamente, do óleo ao cabelo da espiral, e é isso que explica como um automático com movimento próprio custa 330 euros. O calibre 4R36 tem corda manual e paragem do segundo, e aguenta anos de abuso com uma revisão de dez em dez anos, se tanto.
O que sacrificas: a precisão anda entre os 15 e os 40 segundos por dia, o vidro é Hardlex e não safira, e o acabamento da caixa é honesto mas simples. Nada disto importa no relógio que usas para tudo.
Orient Bambino — o relógio de vestir que não parece barato
A Orient pertence ao grupo Seiko Epson e é das poucas marcas do mundo a fabricar movimentos próprios e vendê-los abaixo dos 300 euros. O Bambino tem um vidro abaulado que apanha a luz de uma forma que relógios de 1.000 euros não conseguem, e um mostrador limpo que funciona debaixo de um punho de camisa.
Cuidado com o tamanho: a versão original tem 40,5 mm com lug-to-lug generoso. Em pulsos abaixo dos 17 cm, procura a versão Small Seconds ou o Bambino 38.
Citizen Promaster — para quem odeia manutenção
A tecnologia Eco-Drive da Citizen carrega com qualquer luz, incluindo a luz artificial de um escritório, e dispensa pilhas para sempre. Não há corda para dar, não há pilha para trocar, não há atraso para corrigir. Os Promaster Diver são certificados para mergulho a sério, com 200 metros, e a precisão é de segundos por mês, não por dia.
Objetivamente, é a tecnologia mais prática desta lista. Só perde para o resto se o que procuras é mecânica para observar.
Baltic HMS — design francês, preço japonês
A Baltic nasceu da coleção de relógios do pai do fundador e tornou-se a microbrand europeia de maior sucesso. As caixas são pequenas — 38 mm ou menos — os mostradores têm profundidade a sério, e as referências aos anos 40 e 50 estão lá sem cair na cópia.
É a escolha para quem já reparou que toda a gente no escritório tem o mesmo relógio.
G-Shock DW-5600 — o que sobrevive a tudo
Sessenta e cinco euros. O DW-5600 é praticamente igual ao original de 1983, aguenta quedas de dez metros, tem dez anos de pilha e é usado por militares, bombeiros e mergulhadores em todo o mundo. Não é uma escolha de compromisso: é uma peça de design industrial que nunca foi melhorada porque não precisava.
Se puderes esticar o orçamento
Estes dois aparecem em quase todas as listas de "até 500 euros" da internet. Não pertencem lá — e é justo dizer porquê, porque são duas das melhores compras da relojoaria acessível, só que num escalão acima.
Tissot PRX Powermatic 80 — ~750 €
O PRX automático é a reedição de um modelo de 1978 e trouxe mais gente para a relojoaria mecânica do que qualquer outro relógio da última década. Bracelete integrada, caixa de 10,9 mm, e o calibre Powermatic 80 com 80 horas de reserva de marcha e espiral Nivachron anti-magnética.
A confusão é frequente porque existe um PRX de quartzo, esse sim por cerca de 375 euros, com o mesmo desenho e 3 mm menos de espessura. Se o que te atrai é a linha e não a mecânica, o quartzo cabe no orçamento e é a compra mais inteligente das duas.
Certina DS Action Diver Powermatic 80 — ~880 €
A Certina é a marca mais subestimada do Swatch Group. O conceito DS, de Double Security, é uma construção reforçada dos anos 60 que lhe deu fama de indestrutível. A versão atual junta certificação ISO 6425 de mergulho a 300 metros, bisel cerâmico, espiral Nivachron e o mesmo Powermatic 80.
Não é barato, mas por 880 euros tens especificações que várias marcas cobram ao dobro.
O que eu evitaria nesta faixa
- Relógios de moda com automático. Pagas o nome e levas um movimento chinês genérico numa caixa mal acabada.
- Cronógrafos automáticos baratos. Abaixo dos 500 euros, um cronógrafo automático corta noutro sítio qualquer — normalmente na caixa ou no vidro. Um mecaquartz dá-te o mesmo toque nos botões por muito menos.
- Homenagens demasiado próximas. Marcas como a Pagani Design constroem bem para o preço, mas usar uma cópia quase exata de um ícone diz mais sobre ti do que o relógio original diria.
Perguntas frequentes
O Tissot PRX custa 300 euros?
Não. Por volta de 375 euros custa a versão de quartzo. O PRX Powermatic 80, o automático com 80 horas de reserva, anda pelos 750 euros. É uma confusão comum porque as duas versões partilham o mesmo desenho e o mesmo nome.
Vale a pena um automático em vez de um quartzo nesta faixa?
Depende do que valorizas. O automático dá-te mecânica para observar e nada de pilhas, mas atrasa ou adianta segundos por dia e precisa de revisão ao fim de muitos anos. O quartzo é mais preciso, mais fino e mais barato. Se é o teu primeiro relógio a sério e queres perceber o fascínio, vai de automático.
Que tamanho devo escolher?
Mede o pulso. Abaixo de 16 cm, procura 36 a 38 mm. Entre 16 e 18 cm, 38 a 40 mm funciona quase sempre. Acima de 18 cm tens liberdade até aos 42 mm. O número que mais importa não é o diâmetro, é a distância entre as asas.
Comprar em Portugal ou fora?
Comprando fora da União Europeia acrescentas IVA e taxas alfandegárias na entrada, e ficas sem garantia europeia. Nesta faixa de preço, a poupança raramente compensa o risco e a chatice.